Cientistas identificaram um novo mecanismo biológico capaz de regular os níveis de colesterol no sangue de forma inédita. A descoberta envolve uma proteína que atua diretamente no fígado e pode abrir caminho para tratamentos mais eficazes contra doenças cardiovasculares e o acúmulo de gordura hepática.

O que os pesquisadores descobriram sobre o colesterol?
A descoberta começou a partir da observação de um camundongo com níveis anormalmente baixos de colesterol no sangue, mas com acúmulo de gordura no fígado. Esse comportamento incomum levou os cientistas a investigar um possível fator regulador ainda desconhecido.
O estudo revelou que a proteína HELZ2 atua como um controle central da liberação de partículas que transportam colesterol e triglicerídeos do fígado para a corrente sanguínea.

Como a proteína HELZ2 atua no fígado?
A HELZ2 interfere diretamente na estabilidade do RNA mensageiro responsável pela produção da proteína apoB, essencial para a formação das lipoproteínas que carregam colesterol no sangue.
Quando a atividade da HELZ2 aumenta, menos apoB é produzida. Com isso, menos partículas de colesterol entram na circulação, reduzindo o risco de formação de placas nas artérias.
Por que esse mecanismo é considerado inovador?
A maioria dos tratamentos atuais atua depois que o colesterol já está circulando no organismo. O diferencial dessa descoberta é que a HELZ2 age antes mesmo da formação das partículas lipídicas.
Esse controle antecipado representa uma mudança de paradigma, pois permite pensar em terapias que bloqueiam o problema na origem, ainda no nível genético.

O equilíbrio delicado entre colesterol e gordura no fígado
Os experimentos mostraram que aumentar a atividade da HELZ2 reduz o colesterol no sangue, mas pode elevar o acúmulo de gordura no fígado. Quando sua atividade diminui, ocorre o efeito inverso.
Esse equilíbrio delicado indica que qualquer futura terapia precisará ser cuidadosamente ajustada para evitar efeitos colaterais indesejados.
O que essa descoberta pode mudar nos tratamentos?
Hoje, as estatinas são os medicamentos mais utilizados para controlar o colesterol. Elas agem tardiamente, quando o colesterol já circula pelo corpo.
A nova descoberta abre espaço para terapias mais precisas, capazes de atuar no nível molecular e personalizar o tratamento de doenças cardiovasculares e do fígado gorduroso.
