O ensino superior no Brasil encara desafios que afetam a vida dos estudantes, como a dificuldade para conciliar estágio obrigatório e trabalho, muitas vezes agravada por falhas das instituições na organização dessas atividades práticas.

Um caso recente envolvendo uma aluna de Biomedicina em Minas Gerais, que precisou deixar o emprego para estagiar, mas foi prejudicada por má gestão institucional, chamou a atenção da Justiça e reacendeu o debate sobre as responsabilidades das instituições de ensino.
O que as instituições de ensino são obrigadas a garantir nos estágios?
As instituições de ensino superior são responsáveis por assegurar as oportunidades práticas exigidas no currículo, especialmente na organização dos estágios supervisionados, que são fundamentais para o aprendizado e conclusão dos cursos. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais afirmou que cabe às instituições firmar convênios e garantir a existência de vagas de estágio.
Na prática, essa obrigação não se limita a informar que o estágio é necessário. A instituição precisa estruturar a oferta de vagas de estágio compatíveis com o número de estudantes e com as exigências curriculares, de forma a possibilitar que todos consigam cumprir essa etapa dentro do prazo esperado. Quando há falhas graves de gestão – como falta de campos de prática, ausência de orientação adequada ou atrasos injustificados na alocação de alunos – abre-se espaço para questionamentos sobre a qualidade do serviço educacional prestado.
Quais são os prejuízos enfrentados pelos estudantes quando não há oferta de estágio?
Se as instituições falham na oferta de estágios, os estudantes enfrentam sérias consequências, como atrasos na formatura e impacto na entrada no mercado de trabalho. Esses problemas também podem afetar a vida financeira e emocional do aluno.
Dentre os principais prejuízos causados por essa falha, destacam-se:
- Adiamento da formatura e da vida profissional
- Perda de oportunidades de emprego durante o atraso
- Frustração e ansiedade com o futuro acadêmico
- Dificuldade financeira devido a decisões baseadas em expectativas frustradas
O que o estudante pode fazer diante de falhas na prestação dos serviços educacionais?
Estudantes têm direitos assegurados quando são prejudicados por falhas institucionais, principalmente na falta de oferta de estágios causada por má gestão. Buscar ressarcimento por danos morais é um caminho possível para quem se sente lesado.
O caso da estudante de Biomedicina ilustra que a via judicial pode trazer reparação, reforçando a importância de os alunos conhecerem e reivindicarem seus direitos.

Como a Justiça intervém em conflitos sobre estágios obrigatórios?
O Poder Judiciário tem atuado como instância de controle quando a relação entre estudantes e instituições de ensino se deteriora em função de problemas com estágios obrigatórios. Em decisões recentes, tribunais estaduais vêm reconhecendo que a oferta adequada de vagas de estágio, quando prevista no currículo, integra o serviço educacional contratado. Assim, falhas graves nesse ponto podem gerar dever de indenizar e de adotar medidas corretivas.
Em ações desse tipo, juízes e desembargadores analisam documentos acadêmicos, regulamentos internos, contratos de prestação de serviços educacionais e provas sobre a conduta da instituição. Quando fica demonstrado que o atraso na formatura decorreu da ausência de vagas de estágio ou de má gestão institucional, a Justiça tende a responsabilizar a faculdade ou universidade, reforçando a importância do cumprimento das obrigações assumidas perante o corpo discente.
Esse movimento contribui para fortalecer a proteção ao estudante e para estimular melhorias na organização dos cursos. Ao reconhecer que o estágio obrigatório é parte essencial da formação profissional e não apenas um requisito burocrático, o sistema de Justiça ajuda a alinhar expectativas entre instituições e alunos, aproximando o ensino superior das demandas reais do mercado de trabalho e da sociedade.
