bazar América levou luxo japonês e porcelanas ao Centro do Rio
Loja da Uruguaiana vendeu cristais, louças francesas e peças japonesas, além de fazer entregas em domicílio.

Bazar América marcou a Rua Uruguaiana, no Centro do Rio, com artigos de luxo e uso doméstico. A loja funcionou de 1894 a 1955 e reuniu porcelanas, cristais, louças e peças vindas do Japão e da Europa.
Instalado perto da Sete de Setembro, o comércio atendia clientes que buscavam desde objetos simples até peças finas. Além disso, a casa fazia entregas em domicílio e levava o nome da firma pelas ruas da cidade.
Fundado por Luiz Augusto Baptista e Antonio Alves da Fonseca, o estabelecimento apareceu em registros de 1913 com vendas no atacado e no varejo. O movimento anual também chamou atenção, assim como a presença de representantes em diferentes estados.
Luxo, utilidade e preço
O Bazar América vendia mercadorias para sala, cozinha e mesa. Havia tecidos, talheres, capachos, utensílios, objetos de biscuit e mercadorias de armarinho. Dessa forma, a loja reunia compras de cerimônia e itens do cotidiano.
Entre os destaques estavam as porcelanas de Limoges e os produtos da Christofle. A casa também recebia artigos importados de Yokohama, como serviços de jantar e chá, brinquedos, marfim e leques.
Os anúncios insistiam na variedade e nos preços. Em alguns casos, o estabelecimento apresentava faqueiros, cristais e porcelanas na mesma vitrine, embora atendesse públicos diferentes.
Uma rede de comércio no Centro
A loja fazia parte de um circuito de casas tradicionais do Centro. A relação incluía nomes como Casa Vianna, Bazar Japão e Casa Limoges, todos ligados à circulação de importados no Rio.
Outro vínculo importante levou o Bazar América ao Rio Minho, restaurante da Rua do Ouvidor. O elo passava por Matheus Furtado Rodrigues, sócio de negócios distintos na cidade.
Rodrigues também participou de botequins, sapataria e imóveis em Vila Isabel. Assim, sua trajetória mostrou como comércio, serviços e propriedades se cruzavam no Rio daquela época.
Publicidade, entregas e despedida
As campanhas do Bazar América buscavam as famílias. Em anúncios para revistas, a loja aparecia em diálogos com mães, filhos e noivas. A estratégia ainda destacava mesas postas, presentes e conjuntos para casa.
Em 1927, a revista Vida Doméstica registrou o uso de um automóvel para levar encomendas aos fregueses. Mais tarde, em 1940, a loja anunciou canetas-tinteiro com lapiseira gratuita e garantia de cinco anos.
O fechamento veio em 1955, com leilão para a entrega das chaves dos números 38 e 40. Parte da antiga fachada segue preservada na Uruguaiana, e o nº 40 hoje abriga uma loja de moda feminina.
O Bazar América deixou, portanto, uma marca comercial e visual no Centro do Rio. Além disso, suas peças ainda circulam entre colecionadores, como as porcelanas identificadas com o nome da casa carioca.